Leia a coluna da semana (13/10/2025):
Outubro Rosa: o que o corpo grita quando a alma silencia?
Por Juliana Ramiro
Outubro Rosa é o mês em que o mundo se pinta de rosa para falar sobre o câncer de mama, sobre prevenção, autocuidado e diagnóstico precoce. Mas há uma pergunta que insiste em ecoar, ano após ano, mesmo diante de tantos avanços médicos: por que as mulheres continuam morrendo de câncer?
Os números impressionam. Segundo o INCA, o câncer de mama é o tipo que mais acomete mulheres no Brasil, representando cerca de 30% dos casos novos por ano. E o que mais chama atenção é que ele não poupa idade: cresce o número de diagnósticos em mulheres jovens, muitas com hábitos saudáveis, alimentação equilibrada e prática regular de exercícios. O que está acontecendo?
A ciência aponta diversas causas físicas: poluição, alimentos ultraprocessados, excesso de hormônios, estresse crônico. Tudo isso, sem dúvida, tem seu peso. Mas e se o corpo também estivesse respondendo a algo que não se vê em exames de imagem?
E se o câncer fosse, como diz Gabor Maté, uma expressão do que o sujeito não conseguiu dizer?
O médico canadense, que há décadas estuda a relação entre trauma e doença, propõe uma reflexão inquietante: certas pessoas adoecem não porque são frágeis, mas porque aprendem a suportar demais. Mulheres que colocam as necessidades dos outros à frente das próprias, que evitam conflitos, que se calam para manter a harmonia — e que acabam, inconscientemente, adoecendo no corpo aquilo que não puderam elaborar na psique.
Nietzsche já havia alertado: “Tudo o que não se faz para fora, faz-se para dentro.”
O que não encontra palavra, gesto ou expressão, transforma-se em sintoma.
E o corpo torna-se o porta-voz do indizível.
Minha aposta é que o câncer — especialmente entre as mulheres — não pode ser compreendido apenas como uma falha biológica, mas como um grito psíquico para uma sociedade que ainda exige delas silenciamento, cuidado unilateral e renúncia constante de si.
Quando o corpo adoece, talvez ele esteja dizendo: “não dá mais para aguentar calada.” E é justamente aí que o Outubro Rosa pode ganhar outro sentido — não apenas o de examinar o seio, mas o de escutar o próprio sofrimento, as dores que se escondem atrás do sorriso, o cansaço que se disfarça de força.
O convite é para que a prevenção também seja psíquica: cuidar da alma, dizer o que dói, permitir-se o conflito, o limite, o não. Porque o silêncio pode ser carcinogênico — e falar pode, literalmente, salvar vidas.
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Texto publicado originalmente no Litoral na Rede: https://litoralnarede.com.br/tag/saudemental/
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