PODCASTAnsiedade climática e o futuro roubado: a angústia diante do colapso ambiental

Leia a coluna da semana (29/9/2025):

Ansiedade climática e o futuro roubado: a angústia diante do colapso ambiental

Por Juliana Ramiro

“Não há planeta B”. A frase, repetida em discursos políticos e cartazes de manifestações, carrega um grito angustiado que ecoa pelo mundo. Na última reunião da ONU, o presidente Lula destacou a urgência de uma saída coletiva para a crise climática. Mas enquanto se fala em cúpulas internacionais, o colapso já bate à porta: enchentes que destroem cidades, secas que arruínam plantações, alimentos que encarecem, ruas que viram armadilhas, um medo silencioso sobre o futuro.

Essa experiência atravessa a todos nós e tem nome: ansiedade climática. Uma angústia que mistura impotência, culpa e desamparo diante de um futuro que parece roubado. Afinal, como projetar sonhos quando o amanhã se anuncia sob o signo da catástrofe?

Diante desse mal-estar, dois caminhos se apresentam. Um é o da negação: “não está acontecendo nada”, dizem líderes como Donald Trump, que lucram politicamente e economicamente com o caos. A negação anestesia, mas a realidade insiste em se impor. O outro é o do excesso de informação: sabemos demais e, junto com o saber, vem o peso da impotência. A tentação é paralisar.

Mas a impotência não pode nos condenar à inércia. Há escolhas possíveis. No plano individual, mudar hábitos, repensar o consumo, reduzir excessos. No plano coletivo, fortalecer a democracia escolhendo representantes comprometidos com a vida e não com o lucro a qualquer custo. E talvez o mais importante: educar as próximas gerações fora da lógica do acúmulo. Ensinar nossos filhos a cultivar o ser mais do que o ter, a se relacionar com a natureza não como mercadoria, mas como casa comum.

É nesse ponto que a psicanálise pode nos ajudar a pensar: quando nos deparamos com algo que parece impossível de resolver — como a finitude da vida ou, aqui, a finitude dos recursos do planeta — não se trata de negar, mas de elaborar simbolicamente. Isso significa criar novos modos de relação, novos valores e práticas que nos permitam seguir vivendo, sem paralisar diante da angústia.

Freud, em Totem e Tabu, cita uma tribo que se recusava a explorar a terra, pois a viam como mãe, e ninguém ataca o corpo da mãe. Desde que li esse trecho, sempre me pergunto: quem são, afinal, os verdadeiros “primitivos”? Aqueles que protegem a terra ou aqueles que destroem o corpo que nos sustenta?

Pensar sobre isso é urgente. Afinal, como lembra Ailton Krenak: a gente não come dinheiro.

Te convido a refletir mais sobre este e outros temas acompanhando os episódios do Psi Por Aí, disponíveis no YouTube e no Spotify. E claro, siga também o Psi Por Aí nas redes sociais. Aceito sugestões de temas! Até a próxima semana.

Texto publicado originalmente no Litoral na Rede: https://litoralnarede.com.br/tag/saudemental/

Veja mais artigos do nosso blog:

Crise de Pânico – https://amepsionline.com.br/crise-panico-onde-tudo-comecou/
Manifestações da Natureza e nosso Psiquismo – https://amepsionline.com.br/manifestacoes-natureza-mexem-psiquismo/

Acompanhe nas redes sociais:
https://www.instagram.com/podcastpsiporai
https://www.facebook.com/profile.php?id=61558406494094

Assista o Psi Por Aí no Youtube:
https://www.youtube.com/@PsiPorA%C3%AD24

Ouça o Psi Por Aí no Spotify:
https://open.spotify.com/episode/42HS5YLOqi5mCx1Rd4UU7v?si=0FlCxXYXSPeCzH9CeJBG7A

Este conteúdo tem o apoio de:
Litoral na Rede – https://litoralnarede.com.br/
Sindifars – https://sindifars.com.br/
Espaço Âme – https://www.instagram.com/espacoame.rs/